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Fundagrafias
2026

Essa série explora uma dupla inscrição a partir da pólvora, material ancestral utilizado na Umbanda para a limpeza espiritual dos corpos. Esse ritual, também conhecido como "fundanga" (literalmente 'pólvora' em quimbundo), é praticado há gerações pelos pretos-velhos e exus da minha família.

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A pólvora, ao ser queimada, deixa um rastro. O que busco aqui, porém, é uma inscrição invisível: ao desenhar com ela sobre o papel fotográfico e revelá-lo, não é a queima que se registra, mas a luz. O papel revela o percurso que as partículas de pólvora fizeram e que, a olho nu, passaria despercebido.

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São, assim, duas escritas sobrepostas: a da fundanga sobre o corpo e a da luz sobre o papel.

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